Quem vai julgar?

Porque não estamos nas ruas? Porque o brasileiro não se rebela? Porque o brasileiro não se indigna? Qual o motivo para tanta condescendência com o erro?! Quem ganha com essa característica pacífica do brasileiro?
O brasileiro até teve um suspiro, vimos gente grande sendo presa, sendo condenada, assumindo os delitos, fazendo acordos, devolvendo dinheiro ao erário. Tudo parecia que iria findar uma maré de desmandos históricos de uma nação sofrida. O eterno país do futuro. Um futuro que nunca chega!


Quando a operação lava-jato começou em 2014 o brasileiro passou a acompanhar passo a passo os desdobramentos de muita lama que todos sabíamos que existia mais não havia sido desenrolada tão detalhadamente na nossa cara. Supercontratos, propinas, lavagem de dinheiro, um a um os crimes foram sendo desvendados ao vivo, na nossa frente, na televisão. Figurões presos, confissões, dinheiro roubado sendo devolvido. Aplauso, palmas, euforia… O Brasil tem jeito. Pura ilusão. Parecia que dessa vez ia. Mas não foi. Tudo foi jogado pra debaixo do tapete.


No auge da operação 2016 a 2018, uma eleição para presidente. Surge um messias. Meu Deus! Pobre Brasil. Estava claro, nítido que o salvador aparecido não iria salvar nada. Acho que aqui não preciso citar os personagens. A direita no Brasil renasce. Muita gente (a grande maioria nem sabia que o Brasil não polarizava direita contra esquerda). Muita gente pensava que PSDB contra PT era polarização. Mais, aconteceu. Ainda com os ecos da ditadura (Mais que ditadura? Não houve ditadura! Realmente há quem diga isso. Ora surgiram até os terraplanistas) o Brasil catapultou um personagem que personificou a ojeriza à esquerda vigente. Não houve um projeto de País. Não houve nem mesmo um projeto de poder. Ninguém calculou, planejou. Literalmente caiu no colo do personagem que acreditou que o país iria se voltar contra os personagens que representavam a esquerda.


Pobre Brasil! A falta de capacidade, de planejamento, de projeto, de sustentação lógica fez do aspirante a “salvador” uma dor de cabeça maior, tão absurda, tão incrivelmente desconectado com o senso normal que só existiria uma alternativa. Desprender um preso. Descondenar um condenado. Retroceder 500 anos. Justificar o injustificável. Um a um os presos foram sendo soltos, as multas foram sendo descartadas, os acordos de devolução foram sendo desfeitos, desacreditaram o juiz, desacreditaram o promotor e o Brasil voltou ao seu caminho tortuoso de toma lá da cá. Segue o barco.


Hoje, 2026, nos vemos mais uma vez no meio de uma eleição. Dois lados de um mesmo sistema, de um mesmo modo. Alternativas minguam. O que nos resta? Rezar? Cada dia menos o brasileiro acredita em milagres.


Ah… Ia esquecendo. Um novo escândalo? Uma nova polêmica. E agora? Quem está envolvido? Que lado? Todos! Até o gato o cachorro e o papagaio. A pergunta que o brasileiro faz é: Quem vai julgar?

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