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16/05/2020 - 08:19

Governo Fátima Bezerra "acerta" 1% da projeção de 11,3 mil mortes pela Covid

Pela projeção macabra do governo Fátima Bezerra (PT), hoje, o Rio Grande do Norte teria 11.378 mortes pelo novo coronavírus. O último boletim da Secretaria de Saúde Pública (SESAP-RN), divulgado nesta quinta-feira, 14, o estado tem 117 vítimas da Covid-19.

Numa matemática simples, dividindo o número de mortes projetadas (11.378) pelo número de mortes ocorridas (117), o acerto do governo foi de 1,02%. Algo ínfimo para o tamanho do absurdo cometido.

E, de logo, um alerta: qualquer pronunciamento da governadora Fátima sobre o assunto, que não seja um pedido de desculpas as milhares de famílias de potiguares que se sentiram aterrorizados, não está pautada pela verdade ou pela honestidade.

Para entender a gravidade do erro (para não citar termo mais forte) do governo Fátima, vamos voltar ao dia 7 de abril, quando a gestão estadual, por meio da Sesap, levou pânico à população ao apresentar projeção “otimista” das mais de 11,3 mil mortes até o dia 15 de maio, no caso, hoje.

Na entrevista coletiva, o secretário de Saúde, Cipriano Maia, previu o “grande cemitério” mesmo com o cenário de “mitigação”, com 42% de cumprimento do isolamento social. Também afirmou que o estado teria nesta data mais de 2 milhões de infectados e o colapso da rede de saúde pública. O isolamento ficou nesse patamar e em algum momento foi até menor, baixando para 38%, mesmo assim, a carrada de mortos não se formou.

Para levar o terror à população, o governo “tabulou” os números usando modelos “Mosaic”, desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal (UFRN), e do Imperial College London, como se fosse digno jogar com a vida das pessoas usando algo infinitamente distante da realidade do Rio Grande do Norte.

Naquele momento, o governo estava tentando contratar, via licitação suspeita, uma Organização Social (OS) por mais de R$ 37 milhões, para cuidar de 100 leitos no hospital de campanha que seria montado na Arena Dunas. Urgência, urgentíssima, dado a previsão de mais de 11,3 mil mortes e que precisava salvar essas vidas.

Deu para entender?

O que impressiona é a desfaçatez com que o governo Fátima trata o assunto agora. No início da semana, Cipriano Maia teve a coragem de afirmar que as milhares de mortes não ocorreram porque o governo adotou medidas, e que a projeção absurda serviu para salvar vida. Seria engraçado não fosse trágico.
Todas as medidas de isolamento social o governo e as maiores cidades do estado já haviam adotados antes daquele 7 de abril, dia da projeção macabra. Outras medidas mais duras que o governo estadual tentou implementar, como fechamento de supermercados e padarias aos domingos e feriados, sequer foram aplicadas porque a Justiça derrubou.

A atuação de Cipriano nesse episódio joga na lata do lixo qualquer reputação. Mas, não dá para culpá-lo. Ele disse apenas o que o governo mandou. Foi uma espécie de Dirceu Borboleta, porta-voz de Odorico Paraguaçu na fictícia Sucupira do “Bem Amado”, de Dias Gomes.

Pois bem.

A população foi aterrorizada. Milhares de pessoas se trancaram em casa, amedrontadas, chorando as mortes que não aconteceram. Muitas adoeceram, sistema nervoso abalado. 

Agora, uma pergunta precisa de resposta: por que o governo Fátima levou o terror com a projeção de impossíveis 11.378 mortes pelo coronavírus em tão pouco tempo?

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